“He said I can’t take this place. I’m leaving it behind”

Converso com meu irmão mais velho sobre várias coisas e um dos assuntos que concordamos plenamente é que a maioria dos grupos/conceitos/ideologias caem em lugares muito semelhantes, pra não dizer iguais. Estudei minha vida inteira em escola adventista, não que minha família tivesse grana pra bancar(e se tivesse também qual que é o problema?), foi muito difícil me dar uma escola “melhor” e dou muito valor a isso, mas este não é o caso, quero dizer que sempre questionei coisas dentro da escola e por consequência da “Igreja Adventista do Sétimo Dia. Eram regras que não cabiam na minha vida, dogmas e conceitos contraditórios, os professores e pastores ficavam com um pé atrás achando que eu fosse tirar “Deus” do coração dos jovens garotos, mas, dentro dessa escola religiosa, por mais que rolasse muita pressão, aprendi que cada um tem seu espaço e cada um tem seu lugar.

Depois que sai da escola e fui para o “mundo”(confesso que demorei bastante pra tomar meu primeiro gole de cerveja e descobrir outras coisas), comecei a conviver com pessoas que tinham pensamentos diferentes e pensei finalmente: “Há, achei o meu lugar, finalmente poderei encontrar pessoas livres desses dogmas que não me dizem nada.. sem leis, sem regras…” coisa de adolescente, não que eu não seja mais, mas já fui mais que hoje. Entrei no rolê “contra o preconceito”, onde pessoas podiam expor suas opiniões e que a “felicidade absoluta” reinava, me achava mais rebelde pelo fato de agora, estar fora da igreja(mesmo nunca compactuando) e estar onde pudesse ser sincero e que pudesse apontar o dedo para tudo que acreditava ser errado, religião/mídia/capital e tudo mais…

Mas, com o tempo, fui percebendo que a distância da religião para a rebeldia não é tão grande, é a mesma corda só que do outro lado e que o conservadorismo é do mesmo tamanho, as mesmas proporções, se eu não posso entrar na igreja com uma roupa rebelde,não posso ser rebelde com uma roupa “bonita”, se a igreja tem uma regra de como se comportar, a rebeldia também tem, se você é pecador, a igreja te pune, se você discorda de pontos da rebeldia, você é manipulado pelo sistema e se torna um inimigo, ambos possuem regras, dogmas, preceitos e preconceitos e estão inserido em mais um grupo social.

Se você quer comprar um cd gospel, você entra em uma loja de pintura branca com encartes limpos e com cores claras, se você quer comprar um cd METALCOREPESADOROCKFODIDO, você entra em uma loja de pintura preta com encartes sujos e com cores escuras, mas continua pagando os mesmos R$19,99 para o dono da loja, que pode ser inclusive, o dono das duas lojas, que abriu um negócio pra lucrar. Ou seja, na minha concepção nada do que é feito no sentido que está aflinge o que supostamente quer atingir, não tem diferença e pra repetir, é a mesma corda.

Se na igreja deus me castiga se eu pecar, a rua me “castiga” se eu burlar uma regra da rebeldia… ou seja, estive esses 22 anos parado no mesmo lugar neste sentido.

E o mais esquisito é querer acreditar apenas na bíblia ou só ler livros rebeldes pra atender a necessidade do seu grupo e tentar ignorar os vários estudos que abordam este tema de que todos estamos parados no mesmo lugar e que dentro da cultura a imagem é o que prevalesse acima de qualquer coisa. E não são 70 anos de igreja ou 70 anos de rebeldia nas ruas que te deixam fora dos planos do “diabo” ou do “sistema”, se é novo ou velho, você está no mesmo lugar.

Essa é a minha opinião e que, se pela segunda vez na minha vida sou obrigado a não permanecer onde quero, significa que este não é o meu lugar e eu abandono tudo isso hoje, dia 31/03/2011 e sigo meu caminho. Se em todos os lugares que conheço tem coisa suja, errada, hipócrita, não serei eu que ficarei falando pra atrapalhar a igreja ou a rebeldia, até porque tenho que buscar algo que me faça feliz e não querer criticar a vida alheia e perder meu tempo com as “peripécias”, seja profissional ou pessoal, eu não tenho nada a ver com nada disso.

E espero que as pessoas que eu amo de paixão que estão a minha volta sigam este último conselho de não querer ser o peter pan e salvar o mundo e sim que busque sua felicidade porque isso sim vale a pena. E aqueles que permanecem na luta, seja do lado esquerdo ou direito da corda eu escrevi no último EP da Long Way assim: “Mas eu entendo sua frustração e se isso te conforta, sempre estarei do seu lado, siga seu caminho, mas continuo por aqui…” e é essa frase que eu dedico a aqueles grandes que continuam correndo e espero poder sentar ao seu lado e juntos podermos rir, tomar aquela cerveja e falar do nosso Santos Futebol Clube. haha!

Não falarei mais sobre isso e como sempre fiz, não vou dar indiretas e nem nada, pra mim esse assunto é Off e eu abandono e deixo todos em paz e espero que sua filosofia de vida me permita o mesmo.

E a vida segue, que todos consigam seus objetivos, vocês sabem onde me achar.

Força!
Rodrigo Dias!

Uma resposta para ““He said I can’t take this place. I’m leaving it behind””

  1. não apenas quanto qualquer religião ou sobre a ‘rebeldia’ que você citou em seu post, mas acredito que em qualquer meio em que nos encontremos o problema está que qualquer pessoa, qualquer pseudo ‘líder’ sempre fará uso de sua influência para indicar o que é certo ou não, o que deve ser feito ou não para as pessoas que ali estão.
    não lembro se foi você ou o Marga que estava comentando no twitter, mas como um de vocês disse, nada mais trata senão de status. status esse que não sei bem a que se destina, na real. pessoas querendo sempre estar a frente, nem sempre porque aquela atitude que está tomando a faz feliz, mas sim porque quer se sentir melhor em algo, e pouco importa se isso acarretará em sua destuição ou na pessoa que a segue.
    é muita hipocrisia isso tudo. e nesse ponto ainda devo ressaltar a minha idéia que a maioria desses pseudos-líderes, os que ‘ditam’ as regras de comportamento, de uma forma ou de outra terminam lucrando com todo o idealismo, toda a inocência de alguém que acaba entrando em determinado meio. como por exemplo bandas. e aqui não disponho apenas sobre bandas que assinam com um disco ou coisa assim. aliás, por mais que muitas sejam ruins musicalmente falando (isso é, para mim, outras pessoas devem achar ótimas e respeito a opinião de cada), elas ao menos mostram que sim, que ainda que gostem de fazer isso, estão ali também para obter lucro. uma espécie de sobrevivência, por que não? é preciso trabalhar também… mas quando dizem algo, quando implantam nas mentes sonhadoras, idealistas, algo que não são, que não fazem, que na verdade pouco importam a elas só porque soa romântico e dessa forma conseguem controlar milhares de soldadinhos, isso sim para mim é incogitável.
    e só para deixar claro, não estou falando de bandas como a sua, do Marga, ou de outros diversos amigos que adoro e aprecio o trabalho. mas sim falo das que dizem para fazer algo, porque assim você será legal, porque assim você será aceito ou ainda, e pior, restringindo certos lugares, certas atividades, porque você não sabe o que é, então não pode curtir.
    acho que você entende do que eu estou falando.

    e é isso. apoio sua decisão, mesmo. até porque eu mesma já a fiz há tempos. se é para me limitar a uma única coisa, ainda que a ela eu tenha paixão, prefiro manter-me distante ou, na pior das hipóteses, sequer fazer parte.
    e quanto a pessoas, ainda que sejam diferentes em todas vertentes possíveis, são elas que devem ser apreciadas, e não seus gostos. é claro que é muito bom ter muita coisa em comum com as pessoas com quem você anda, mas no final das contas não termina sendo isso o que importa, não é. e sim seu caráter.
    e ainda que isso esteja em escassez, ainda consigo arrumar uns poucos e bons. devo dizer que te incluo nesta lista.

    beijos Rô

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